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Faculdade Paulista de Serviço Social

26/11/2018

ONU debate inclusão de mulheres negras no mercado de trabalho

No Dia da Consciência Negra, 20 de novembro, o Fundo de População das Nações Unidas reuniu cerca de cem pessoas no Rio de Janeiro para debater empoderamento feminino e oportunidades de educação e trabalho para as mulheres negras. Com representantes do setor privado, mídia, governo e sociedade civil, o evento discutiu experiências do Brasil e da Noruega para enfrentar a discriminação por gênero e raça.

No Brasil, a proporção de mulheres brancas com o ensino superior completo é 2,3 vezes maior do que a de mulheres negras, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Quando a gente pensa sobre essas diferenças sociais e na evolução das pautas feministas, precisamos pensar onde se encaixam as mulheres negras”. O alerta veio da youtuber e ativista Gabi Oliveira, uma das participantes do encontro. “Nós nunca vamos chegar à igualdade se a negritude estiver sempre atrás.”

Gabi criou o canal DePretas, que aborda questões étnico-raciais e vivências pessoais. Atualmente, a influenciadora apoia a campanha do UNFPA Ela Decide, sobre saúde sexual e reprodutiva.

O encontro teve a presença ainda de Thereza Moreno, diretora financeira e presidente interina da Prudential Brasil, e Luciana Costa, gerente de recursos humanos da empresa norueguesa DNV GL. O debate foi mediado pela assistente de programa do UNFPA, Isadora Harvey.

Segundo Moreno, as mulheres negras ainda se encontram sub-representadas dentro de grandes empresas e em cargos de chefia. Para ela, é importante modificar a realidade investindo na diversidade.

“Ter diversidade, tanto de cor e etnia quanto de gênero, em um ambiente de trabalho cria uma atmosfera mais saudável, onde os valores vivenciados dentro da corporação podem ser difundidos para a vida pessoal e social dessas pessoas”, disse.

Moreno tem 49 anos e uma filha e um filho. Para chegar ao cargo que alcançou, o intervalo entre uma criança e outra foi de sete anos. “No mundo do trabalho, a gente precisa fazer escolhas, como tudo na vida. Eu escolhi adiar a maternidade para me dedicar ao trabalho, mas muitas mulheres não têm essa possibilidade, por isso as empresas devem abraçá-las”, defende.

No Brasil, as mulheres tendem a estudar mais que os homens. Em 2016, entre as pessoas com 25 anos ou mais que terminaram o ensino superior, 21,5% eram mulheres e 15,6%, homens, de acordo com o IBGE.

Mas a inclusão das afrodescendentes nesse nível da educação formal ainda é frágil. As participantes do evento afirmaram que a dificuldade para ingressar e terminar o ensino superior é um desafio imposto pelo racismo estrutural às mulheres negras. Isso acaba se refletindo também nas seleções para vagas de emprego e na própria atuação profissional.

Para Luciana Costa, um mercado de trabalho mais inclusivo depende da busca efetiva por profissionais negras. A gestora afirmou que dar oportunidades de desenvolvimento para as afrodescendentes passa pelo interesse de quem contrata.

“Eu creio que os processos de recrutamento devem ser revistos pelas empresas, pois quando uma pessoa é negra, ela necessita ser muito mais qualificada. Isso gera uma distinção na equipe”, ressaltou.

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